Um guia para iniciantes e iniciados na interpretação dos quadros cinematográficos.
Nessa imagem de O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation, de D. W. Griffith, 1915) vemos um varão nortista a cortejar uma senhorita. Ela não o encara e olha para a esquerda, porque se lembra de seu irmão, um sulista, morto na Guerra Civil Americana. A cena parece casual, mas se pensarmos nas alternativas do diretor percebemos que foi cuidadosamente planejada. Por que o homem não a abordou pela esquerda? Por que ela olha para a direção contrária a dele e não para frente, para baixo ou para cima? Essas e outras perguntas estão respondidas aqui neste texto, sempre acompanhadas de citações visuais.
O bom artista sabe que em arte não existem regras. Há padrões e convenções orgânicas que partem do conhecimento de vida, ou seja, do mundo real extra-artístico, e aproximam a obra do público. A vida é o conhecimento mais útil à arte.
Uma dessas convenções está no Cinema: a das direções. Por direção entendamos rumo, sentido, tanto em relação ao movimento que os personagens e a câmera fazem em cena quanto à posição relativa dos mesmos personagens com os demais elementos da mise-en-scène. Por princípio esse costume também surge do cotidiano global. Vejamos.
Imagina agora à tua frente uma linha sobre a qual disponhas três elementos: passado, presente e futuro (ou futuro, presente e passado; ou presente, passado e futuro…). Organiza-os em seqüência por essa linha. Pronto? Não é de se estranhar que muitos dos leitores, independente de onde estejam ou de quem sejam, escolham a seguinte ordem: passado à esquerda, presente no centro e futuro à direita. Isso acontece porque estamos acostumados a pensar dessa maneira.
O sol nasce a leste, porque tomamos o Ártico como norte, portanto os dias começam a leste, à direita. Da direita vem o futuro; o passado desce à esquerda. Ainda mais, somos habituados a colocar os elementos em ordem crescente da esquerda para a direita – basta repararmos em qualquer régua para entender porquê o fazemos. Trata-se de hábito, de educação às vezes até inconsciente. Logo: passado, presente e futuro.
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