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Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

“Não julgues um livro pela capa”, diz o ditado que Ray Bradbury convenientemente aproveita em certo momento de Fahrenheit 451 (1953), no entanto algo mais acertado seria: não julgues um livro pelo que as pessoas fizeram com ele.

De novo o leitor do Clássicos Universais deparar-se-á com uma distopia, desta vez ambientada nos Estados Unidos da América. Nosso herói agora é Guy Montag, um homem a cuja profissão é dada grande peculiaridade na novela – ele é um bombeiro, só que, ao invés de apagar incêndios, ele queima coisas, mais especificadamente livros.

Nesse futuro nem tão distante proposto por Bradbury, quando as casas se tornaram protegidas contra o fogo, a palavra ‘bombeiro’ passou a designar ‘queimadores de livros’. E por que se queimam livros? Porque supostamente eles deixam as pessoas infelizes e o objetivo de todo governo distópico é entupir a população com felicidade, mesmo que isso signifique suprimir-lhes a liberdade de escolha.

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A outra volta do parafuso (The turn of the screw), de Henry James

A grande questão de A outra volta do parafuso, conto escrito por Henry James em 1898, não diz respeito a qualquer impenetrabilidade do assunto ou da linguagem, mas se resume a perguntar-nos se a história é essencialmente fantasmagórica vista por uma ótica psicológica, ou se é essencialmente psicológica sob um disfarce fantasmagórico.

Dito isso, o Classicista adotará a postura de não defender quaisquer lados da polêmica. Antes trabalhará ambas as hipóteses. Logo, adianta sua conclusão: Henry James é um exímio autor de tramas psicológicas e um inepto como autor de histórias. Espera o Classicista apresentar argumentos suficientes para as duas afirmações.

Não faltará ao leitor textos dedicados à obra, todos bastante exaltados na defesa das próprias ideias. Para ter-se uma noção dessa longa pendenga, fica como sugestão este sítio, bem como este outro.

A outra volta do parafuso se resume a: uma senhorita (sem nome), criada sob forte influência religiosa e de origem humilde, é contratada por um cavalheiro de bom porte para cuidar de seus sobrinhos com a condição de jamais incomodá-lo. Cativada pelo charme do tio, ela parte para uma mansão no campo onde encontra a Sra. Grose – uma cozinheira e sua confidente –, além de Flora e Miles, estas duas as crianças. Aparições de fantasmas para cá, paranoia para lá, ninguém sabe exatamente o que acontece e o fim é trágico.

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As direções na direção de Cinema – Parte I

Um guia para iniciantes e iniciados na interpretação dos quadros cinematográficos.

Nessa imagem de O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation, de D. W. Griffith, 1915) vemos um varão nortista a cortejar uma senhorita. Ela não o encara e olha para a esquerda, porque se lembra de seu irmão, um sulista, morto na Guerra Civil Americana. A cena parece casual, mas se pensarmos nas alternativas do diretor percebemos que foi cuidadosamente planejada. Por que o homem não a abordou pela esquerda? Por que ela olha para a direção contrária a dele e não para frente, para baixo ou para cima? Essas e outras perguntas estão respondidas aqui neste texto, sempre acompanhadas de citações visuais.

O bom artista sabe que em arte não existem regras. Há padrões e convenções orgânicas que partem do conhecimento de vida, ou seja, do mundo real extra-artístico, e aproximam a obra do público. A vida é o conhecimento mais útil à arte.

Uma dessas convenções está no Cinema: a das direções. Por direção entendamos rumo, sentido, tanto em relação ao movimento que os personagens e a câmera fazem em cena quanto à posição relativa dos mesmos personagens com os demais elementos da mise-en-scène. Por princípio esse costume também surge do cotidiano global. Vejamos.

Imagina agora à tua frente uma linha sobre a qual disponhas três elementos: passado, presente e futuro (ou futuro, presente e passado; ou presente, passado e futuro…). Organiza-os em seqüência por essa linha. Pronto? Não é de se estranhar que muitos dos leitores, independente de onde estejam ou de quem sejam, escolham a seguinte ordem: passado à esquerda, presente no centro e futuro à direita. Isso acontece porque estamos acostumados a pensar dessa maneira.

O sol nasce a leste, porque tomamos o Ártico como norte, portanto os dias começam a leste, à direita. Da direita vem o futuro; o passado desce à esquerda. Ainda mais, somos habituados a colocar os elementos em ordem crescente da esquerda para a direita – basta repararmos em qualquer régua para entender porquê o fazemos. Trata-se de hábito, de educação às vezes até inconsciente. Logo: passado, presente e futuro.

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Músicas da Semana 14

Três músicas. Três gêneros diferentes. Toda semana.

Billy Joel – Piano man:

Neil Diamond – Sweet Caroline (agradeço ao Ismael pela lembrança):

Violeta Parra – Gracias a la vida:

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A mais trágica história de amor

Romeu e Julieta? Não. Orfeu e Eurídice? Não. Catherine e Heathcliff? Também não. Armand e Marguerite? Na-não. Werther e Charlotte? Quase, mas ainda não. Narciso e Narciso? Nada disso; a mais trágica história de amor é a do Lenhador de Lata (Tin Woodman) com Nimmie Amee, a bela Munchkin de O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz), escrita por L. Frank Baum.

“Assim, enquanto caminhavam pela floresta, o Lenhador de Lata contou a seguinte história:
“- Eu sou filho de um lenhador que cortava as árvores da floresta e vendia a madeira para viver. Quando cresci, virei lenhador também, e depois que meu pai morreu, tomei conta de minha velha mãe enquanto ela viveu. Então tomei a decisão de me casar para não ficar solitário. Ler mais

Músicas da Semana 13

Três músicas. Três gêneros diferentes. Toda semana.

Sílvio Caldas – Chão de Estrelas:

America – Sandman:

Lorraine Ellison – Stay with me:

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Músicas da Semana 12

Três músicas. Três gêneros diferentes. Toda semana.

J. S. Bach – Tocata e Fuga em Ré menor (BWV 565), interpretação de Karl Richter:

Emerson, Lake & Palmer – Fanfare for the common man:

Charles Aznavour – La bohème:

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Definição de ‘atração’:

Marilyn Monroe Reading Ulysses
Marilyn Monroe Reading Ulysses, por Eve Arnold.

Poesias da Semana 04

Envia teus poemas, juntamente com os poemas de teu autor favorito, e faze parte da seção Poesias da Semana aqui no Clássicos Universais!

O clássico:

Tempo

Mar insondável, cujas ondas são os anos,
Oceano do tempo, cujas águas de aflição
Receberam o sal do pranto dos humanos!
Tu, mar sem praias, que na cheia e na vazão
Abraças os limites da mortalidade,
E uivando por mais vítimas, em tua saciedade,
Vomitas teus despojos em sua costa inóspita;
Traiçoeiro em calma, horror na tempestade,
Velejar em ti quem há de,
Insondável mar!

(P. B. Shelley, tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos)

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A Última Gargalhada (The Last Laugh / Der letzte Mann), de F. W. Murnau

“O que faz deste filme tão bom é sua capacidade de se desenvolver por meio de uma linguagem completamente imagética e fluida, distante do didatismo literário e da estaticidade da moldura teatral.”

Também podes encontrá-lo neste link.

A última gargalhada (1924) pode não ser um filme muito conhecido ou sequer o mais famoso de seu realizador, Murnau, responsável por obras como Nosferatu (Nosferatu – eine Symphonie des Grauens, 1922) e Aurora (Sunrise, 1927), mas certamente este filme é um marco para o Cinema e para o desenvolvimento de uma linguagem cinematográfica propriamente dita.

Em termos de história o filme é bastante simples. Conta o causo do porteiro de um refinado hotel que devido à idade já avançada é retirado da portaria para trabalhar como atendente nos lavatórios. Com isso seu mundo desaba, pois sua posição e seu uniforme lhe garantiam o respeito dos outros, em especial no conjunto habitacional onde reside. Para fingir o status de outrora, o ex-porteiro furta seu antigo uniforme; no entanto a mentira não dura por muito tempo, logo a notícia se espalha e sua moral é arrasada de vez.

Esse é um dos finais do filme, já que se dá ao luxo de apresentar ainda um segundo. No meio disso, é claro, intercalam-se outras situações: o casamento de sua filha, que o deixará só, o burburinho da cidade, as desavenças entre classes, além de todos os sonhos e pesadelos do porteiro, ou seja, seu conteúdo mental exteriorizado. E vale ressaltar que tudo isso é contado sem dizer uma só palavra, haja vista ser um filme mudo.

Se A última gargalhada limitasse-se a narrar a história, tal qual a resumi, através de um modo convencional pelo qual se fazia o cinema mudo, é provável que não resultasse em uma obra tão grandiosa. O que faz deste filme tão bom é sua capacidade de se desenvolver por meio de uma linguagem completamente imagética e fluida, distante do didatismo literário e da estaticidade da moldura teatral.

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Músicas da Semana 11

Três músicas. Três gêneros diferentes. Toda semana.

Bob Dylan – Subterranean Homesick Blues:

Al Green – Love and Happiness:

Camille Saint-Saëns – Danse Macabre:

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Netflix no Brasil

Netflix agora é oficial no Brasil, senhoras e senhores. Chamo a atenção para dois fatores: para quem já conhece o serviço, não são mais necessárias gambiarras para acessá-lo; entretanto, a disponibilidade de filmes é bem menor se comparada às filiais estadunidense e canadense. Segundo: se tua internet é gato, rateio de prédio ou propaganda enganosa, então o streaming, parte mais interessante de todo o Netflix, fica ainda como um sonho distante.

Para quem, como eu, está cansado de chegar à locadora e perguntar se chegou algum filme antigo ou não tão divulgado e gostaria de ter uma opção legal de download, pois crê que as boas obras devem ser de fato pagas, mas a um preço acessível, então o Netflix é uma luz no fim do túnel. Ainda não é exatamente uma realidade maravilhosa, é tão-somente uma esperança.

O melhor: podes experimentar de graça o serviço pelo período de um mês. Depois, as mensalidades são de R$ 14,99. Uma visita rápida já te mostra alguns títulos interessantes: O homem que matou o facínora (The man who shot Liberty Valance, de John Ford, 1962), Chinatown (de Roman Polanski, 1974), Ensina-me a viver (Harold and Maude, de Hal Ashby, 1971), A conversação (The conversation, de Francis Ford Coppola, 1974), entre muitos outros. Agora, se procuras títulos atuais ou séries, perceberás que o acervo tem muito a melhorar.

De todo modo, recomendo a utilização do período gratuito. Quem tiver interesse em testar, acessa este link. Depois não te esqueças de retornar e contar como foi tua experiência com o Netflix, quais filmes viste, quais não achaste e assim por diante. Até!

Godot Logistics

Enquete para fãs de Hitchcock

Já viste Psicose? Um Corpo que Cai? E Pacto Sinistro? Já ouviste falar? Só conheces a fase hollywoodiana do diretor? Ou gostas também de Os 39 Degraus e A Dama Oculta? Demonstra nesta enquete toda a tua expertise ou simples noção acerca das obras do Mestre.

Alfred Hitchcock dirigiu 56 longas-metragens ao longo de sua carreira. Muitos deles entraram para o cânone do cinema mundial e seus títulos tornaram-se familiares mesmo entre aqueles que não assistiram aos respectivos filmes.
Logo abaixo há uma lista dos filmes do Mestre do Suspense mais apreciados pela crítica. Já viste todos? Não? Não há problema, ainda tens tempo! Seleciona aqui aos quais já assististe e depois conta sobre quais deles tens curiosidade de descobrir.

Músicas da Semana 10

Três músicas. Três gêneros diferentes. Toda semana.

The Ventures – Wipe out:

João Gilberto – Saudade fez um samba:

The Glenn Miller Orchestra – In the mood:

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