A mais trágica história de amor

Romeu e Julieta? Não. Orfeu e Eurídice? Não. Catherine e Heathcliff? Também não. Armand e Marguerite? Na-não. Werther e Charlotte? Quase, mas ainda não. Narciso e Narciso? Nada disso; a mais trágica história de amor é a do Lenhador de Lata (Tin Woodman) com Nimmie Amee, a bela Munchkin de O Mágico de Oz (The Wonderful Wizard of Oz), escrita por L. Frank Baum.

“Assim, enquanto caminhavam pela floresta, o Lenhador de Lata contou a seguinte história:

“- Eu sou filho de um lenhador que cortava as árvores da floresta e vendia a madeira para viver. Quando cresci, virei lenhador também, e depois que meu pai morreu, tomei conta de minha velha mãe enquanto ela viveu. Então tomei a decisão de me casar para não ficar solitário.

Havia uma das jovens Munchkin que era tão bela que entreguei a ela o meu coração. Ela, por sua vez, prometeu casar comigo assim que eu ganhasse o dinheiro suficiente para construir uma casa melhor para ela; então, eu me pus a trabalhar ainda mais do que antes. Mas a moça vivia com uma velha que não queria que ela casasse com ninguém, porque ela era muito preguiçosa e queria que a moça permanecesse com ela para cozinhar e limpar a casa. Assim a velha foi falar com a Bruxa Malvada do Leste e lhe prometeu duas ovelhas e uma vaca se ela evitasse o casamento. A Bruxa Malvada encantou meu machado e, quando eu estava cortando lenha com toda a disposição, pois estava ansioso para conseguir a casa nova e para poder casar,, o machado escorregou de repente e cortou para fora a minha perna esquerda.

“A princípio aquilo me pareceu uma grande desgraça, porque eu sabia que um homem de uma perna só não podia trabalhar muito bem como lenhador. Assim eu fui até um funileiro e fiz com que ele me fabricasse uma perna nova feita de lata. A perna funcionou muito bem, tão logo eu me acostumei com ela; mas isso enfureceu a Bruxa Malvada do Leste, pois ela tinha prometido à velha que eu não iria casar com a linda moça Munchkin. Quando eu comecei a cortar lenha de novo, meu machado escorregou e cortou fora minha perna direita. E outra vez eu fui ao funileiro e novamente ele me fabricou uma perna de lata. Depois disso, o machado encantado cortou os meus braços, um após o outro; mas eu não desisti e substituí os dois por braços de lata. A Bruxa Malvada então fez o machado escorregar e cortar fora a minha cabeça. Aí eu pensei que tinha chegado o meu fim. Mas o funileiro apareceu por acaso e me fez uma cabeça nova de lata.

“Eu pensei então que tinha derrotado a Bruxa Malvada e trabalhei com mais ânimo do que nunca, mas não sabia a que ponto a minha inimiga podia ser cruel. Ela pensou em uma nova maneira para destruir meu amor pela linda donzela Munchkin e fez com que meu machado escorregasse outra vez, de tal modo que cortou o meu tronco, dividindo-o em duas partes. Mais uma vez, o funileiro veio em meu auxílio e me fez um corpo de lata, prendendo a ele meus braços e minhas pernas e até a cabeça por meio de juntas, de tal modo que eu podia me mover tão bem como antes. Mas ai de mim! Agora eu não tinha mais coração, e não me importava mais em casar com ela ou não. Eu suponho que ela ainda more com a velha, e esperando que eu vá buscá-la.” – Tradução de Willian Lagos, para a edição da L&PM.

Ou seja, o homem decepou um a um todos os seus membros na esperança de que através de seu trabalho ele pudesse casar com a donzela amada, mas no fim o sacrifício foi tanto que ele acabou sem coração e, portanto, sem realizar seu sonho. Não me recordo de outra tragédia que supere esta…

Tin Woodman - O Lenhador de Lata, por William Wallace Denslow
Tin Woodman – O Lenhador de Lata, por William Wallace Denslow

4 comentários Adicione o seu

  1. E que tal a história de Abelardo e Eloise, que deu origem ao filme Em nome de Deus?

    A propósito, muito bom seu blog.

    1. Muito obrigado pela lembrança, Antônio! É verdade, Abelardo e Eloise também têm uma grande história de amor, uma das maiores. E isso porque só sei da história por alto. Tenho planos de ainda ler as correspondências deles e o poema de Alexander Pope. E já vi o filme, mas a produção (cenários, direção…) irritou-me, por isso não consegui terminá-lo.

      Agradeço o incentivo! Bem-vindo ao Clássicos. Abraço!

  2. Oi, bela postagem.
    Eu incrivelmente amo O Morro dos Ventos Uivantes, e adoro aquela tragédia, e nunca li O Magico de Oz mas agora vou com certeza vou procurar para ler!
    Bela postagem!!!

    1. Obrigado, Gabriela.

      Gosto muito de O Morro dos Ventos Uivantes também. Foi uma leitura que realmente me marcou. Agora, se leres o Mágico de Oz verás que não chega nem perto em termos de tragédia. Como escrevi, esse caso de amor é uma história à parte deste livro. Ainda assim, é ótimo e eu o recomendo.

      Abraço!

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