A Maleta Fatídica, de Jacques Tourneur

Depois do sucesso com os filmes de terror B, Jacques Tourneur passou a trabalhar com grandes produtoras, com a alternância entre o gênero pelo qual ficou conhecido e filmes noir, como Fuga do Passado (Out of the Past, 1947) e A Maleta Fatídica (Nightfall, 1957, que tradução ridícula!).

Nightfall, a despeito da fatídica tradução do título para o português, é um bom filme e muito bonito de se ver, com um uso fantástico da luz. E seus cenários encaixam-se perfeitamente ao preto-e-branco da projeção; a paisagem nevada de Wyoming em contraste aos ambientes escuros em que os personagens são obrigados a esconderem-se em Los Angeles.

Nightfall (lights)

Não há tanto suspense quanto anuncia sua publicidade original: “Você poderia ir ao cinema todos os dias por cinco anos antes de ver outro filme com tantas emoções e tanto suspense”; de todo modo, não há de desapontar o espectador. Nele a direção de Tourneur é mais discreta que nas obras anteriores, sem grandes efeitos, porém com recursos eficazes.

Além disso, a edição dá conta de conduzir com fluidez uma narrativa cheia de paralelismo e flashbacks. Começamos a história com James Vanning (Aldo Ray), um homem que parece ter algo a esconder. Em seguida, Vanning conhece Marie (Anne Bancoft), de língua tão afiada quanto ele.

Nightfall (James and Marie)

Paralelamente, Ben Fraser (James Gregory) está à espreita de Vanning, assim como John (Brian Keith) e Red (Rudy Bond), que compartilham o segredo do protagonista. Esse segredo é revelado aos poucos ao longo do filme, através de flashbacks do primeiro encontro entre esses personagens. O mistério por trás do herói envolve um roubo, uma morte e uma maleta cheia de dinheiro perdida em algum lugar de Wyoming.

Nightfall (Wyoming)

Ele e a recém conhecida Marie então se veem numa corrida para despistar os verdadeiros bandidos e provarem a inocência de Vanning, enquanto Fraser continua em seus calcanhares.

Com a exceção de alguns estereótipos do gênero noir, como o fato de o casal fazer planos para o futuro apenas depois dias depois de se conhecerem, o roteiro é provocante e repleto de falas ácidas. Fora a personalidade do herói, que aqui admite várias vezes ter medo e estar cansado, destaco a dupla de vilões.

John, mais comedido, é o cérebro da dupla e prefere abrir mão da violência. “You got a soft spot”, diz Red. Já este é um tipo infantiloide, e por isso mesmo tanto mais temível por sua ira descontrolada. A associação dos dois é uma tensão à parte.

Nightfall (John and Red)

Nightfall é baseado no romance de David Goodis, autor de diversos livros adaptados para o Cinema. Seus principais títulos são A Garota de Cassidy (Cassidy’s Girl, 1951), Lua na Sarjeta (Moon in the Gutter, 1953) e Atire no Pianista (Down There, 1956), este último tornado filme por François Truffaut em Atirem no Pianista (Shoot the Piano Player / Tirez sur le Pianiste, 1960).

Ficha técnica:

Título: A Maleta Fatídica / Nightfall;
Direção: Jacques Tourneur;
Elenco: Aldo Ray, Anne Bancoft, James Gregory, Brian Keith, Rudy Bond, Jocelyn Brando, Frank Albertson…;
Roteiro: Stirling Silliphant, David Goodis (história original);
Cinematografia: Burnett Guffey;
Edição: William A. Lyon;
Música: George Duning;
Produção: Ted Richmond;
Ano: 1957;
País: Estados Unidos;
Gênero: Suspense, Noir.

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