Back in Black, de AC/DC

AC/DC foi uma das bandas que ajudaram, ao lado de Led Zeppelin, The Who, Deep Purple e Black Sabbath, a pôr o “hard” no Rock.

Seu álbum mais aclamado, Back in Black, é mais do que amplamente conhecido e apreciado; é o segundo álbum com maior número de vendas no mundo, com quase 50 milhões de cópias vendidas.

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Para ouvires durante a leitura:

Pontos principais:

  1. Banda, álbum e músicas são ícones do Rock;
  2. A guitarra de Angus Young atende aos ouvintes mais exigentes e aos corações mais sequiosos de emoção;
  3. Back in Black é uma filosofia de vida;
  4. Sério, 50 milhões de cópias;
  5. Rock and Roll Ain’t Noise Polution e, bem, todas as outras faixas.

No começo dos anos oitenta a banda australiana AC/DC estava em fase de preparação de seu sétimo álbum. Seus integrantes, liderados pelos irmãos guitarristas Angus Young e Malcolm Young, provaram que eram capazes de fazer um Rock bom e empolgante já na estreia, com High Voltage, e continuaram em um crescente sucesso com álbuns como T. N. T. e Highway to Hell.

Entretanto, em fevereiro de 1980, o vocalista Bon Scott foi encontrado sufocado com o próprio vômito após uma noite de bebedeira. Os membros restantes do grupo tiveram então diante de si três alternativas: largar tudo (o que eles chegaram a considerar), gravar um disco soturno, repleto de letras sobre a vileza morte ou contratar um novo vocalista, sacudir a poeira e continuar rocking.

Como esta é uma banda com colhões, a terceira opção foi a saída lógica. Dessa escolha surgiu Back in Black – a volta do luto, por assim dizer – como homenagem a Bon e recomeço para o AC/DC. Brian Johnson foi incorporado aos vocais, as músicas que estavam parcialmente compostas tiveram conclusão e outras foram acrescentadas ao projeto.

Roqueiros não conhecem um "bom" modo de morrer. (Bon Scott / Divulgação)
Roqueiros não conhecem um “bom” modo de morrer. (Bon Scott / Divulgação)

É evidente que a temática fúnebre ronda as composições, mas à maneira AC/DC. Por exemplo, o álbum abre com a faixa Hells Bells (Sinos do Inferno), que começa em um tom misterioso e tem a letra com o seguinte teor:

“You’re only young but you’re gonna die
I won’t take no prisoners won’t spare no lives
Nobody’s putting up a fight
I got my bell I’m gonna take you to hell”. – Angus Young, Malcolm Young e Brian Johnson

“És bastante jovem, mas morrerás
Eu não faço prisioneiros, não poupo vidas
Ninguém está a armar uma luta
Eu tenho meu sino, eu te levarei ao Inferno”.

Essa foi a forma de homenagearem Bon Scott, não como um poeta místico nem como um anjo humanitário, mas como um verdadeiro astro do Rock (e que morreu de um modo totalmente roqueiro, por sinal).

Há também música título, Back in Black, um desabafo – de macho, bem notado – por parte dos que ficaram sobre a terra com a missão de propagar riffs viciantes de guitarra:

“Forget the hearse, ‘cause I never die
I got nine lives, cat’s eyes
Abusing every one of them and running wild
‘Cause I’m back! Yes, I’m back! […]
Yes, I’m back in black!”. – Young, Young e Johnson

“Esquece o carro fúnebre, eu nunca morrerei
Eu tenho nove vidas, olhos de gato
A abusar de cada uma e a alucinar
Pois estou de volta, sim, de volta! […]
Sim, estou de volta do luto!”.

Portanto é por isso que Back in Black é mais do que boa música, é uma filosofia de vida. Quando estiveres triste, deixa de lado aquelas canções chorosas, põe AC/DC a bom volume e pensa que toda situação, mesmo a mais desoladora, é sempre uma oportunidade de te refazeres. Basta que tenhas coragem para encarar os fatos e tudo se revelará melhor do que até então parecia.

E por falar em refazer-se, nenhuma outra banda refez-se de maneira tão impressionante quanto esta. Seus músicos destilaram o mais puro Hard Rock da história (embora a influência do Blues Rock de Angus continue perceptível, em especial em Rock and Roll Ain’t Noise Polution), com algumas das canções que logo se tornariam hinos nas bocas dos fãs, e conseguiram transformar essa homenagem no segundo álbum mais vendido de todos os tempos, superado somente por Thriller, de Michael Jackson.

Falta mencionar a faixa que encerra o disco, Rock and Roll Ain’t Noise Polution. Inicia-se notavelmente em um ritmo mais calmo do que o das demais músicas, porém com a entrada da letra ela ganha corpo e por fim se agiganta no decorrer do solo de guitarra. É um hino do Rock, sem dúvida, e conta um pouco da história deste gênero com seu começo em Blues e sua evolução em algo próprio, ruidoso e visceral. E enfim, sob a terra, Ben Scott pôde descansar em paz (licença poética minha, pois ele foi cremado).

“Rock and Roll ain’t noise pollution
Rock and Roll ain’t gonna die”. – Young, Young e Johnson

“O Rock and roll não é poluição sonora
O Rock and roll jamais morrerá”.

Porque os roqueiros podem morrer; o Rock, não.
Porque os roqueiros podem morrer; o Rock, não.

Ficha Técnica:
Álbum: Back in Black;
Artista: AC/DC;
Músicos: Brian Johnson, Angus Young, Malcolm Young, Cliff Williams, Phil Rudd;
Produtor: Robert John “Mutt” Lange;
Gravadora: Albert/Atlantic Records;
Lançamento: 1980;
Gênero: Hard Rock, Rock and Roll, Blues Rock.

2 comentários Adicione o seu

  1. Jonata disse:

    Seu texto me deu vontade de escutar AC/DC, eu nunca escutei por que todo mundo diz que gosta e andam com camisetas estampadas, sim tive preconceito por causa do gosto comum.
    Obrigado por isso.

    1. Fico muito contente por ter despertado teu interesse.

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