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Posts from the ‘Cultura em debate’ Category

Como criar um Clube de Leitura

Sem mistérios, um clube de leitura é um evento social que propicia às pessoas trocarem experiências literárias. A princípio, é uma conversa informal que gira em torno desse tópico comum, um livro preferencialmente já lido pelos demais integrantes do grupo.

Existem inúmeras formas de organizar um clube de leitura; abaixo indicarei algumas páginas que contem informações importantes a respeito. Suponhamos que queiras formar um clube, por que se dar ao trabalho?

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Como mudar o Brasil

Queremos mudar o Brasil, certo? Pois bem, a partir de agora, deste exato instante sem deixarmos para quando seja oportuno, tenhamos a coragem de mudar a nós próprios se necessário.

Estudemos, estudemos muito e não coloquemos a culpa apenas no sistema de ensino. Conduzamos nosso próprio ensino. Devolvamos os benefícios recebidos caso não nos interessemos pela educação. Destaquemo-nos no que fizermos, não nos limitemos com as dificuldades.

Leiamos. Leiamos. Leiamos. Pelo menos dez vezes mais do que temos lido, sem contudo nos restringirmos à ficção, ao mero acontecimento episódio. A imaginação de novos mundos é bem-vinda, porém nossa existência e nossos problemas residem neste mundo real em que vivemos. Depois, pensemos sobre o que lemos. Read more

O resultado do Brasil nas Olimpíadas

Mais uma brilhante participação brasileira nas Olimpíadas; no quadro de medalhas o país ficou atrás apenas de delegações com grande tradição esportiva, como Coreia do Norte, Irã e Cazaquistão.

Sarcasmo à parte, ficam os parabéns a todos os atletas que batalharam não somente contra os resultados dos outros atletas, mas também contra as dificuldades inerentes aos esportistas brasileiros. A maioria deles voltará esquecida pelo grande público ao lar e à vida de antes, vida simples e suada, enquanto a minoria bem paga aparecerá todas as semanas na televisão como se nada acontecera.

E há quem diga ser improcedente reclamar a respeito do resultado olímpico brasileiro. Em termos. Para o cidadão que espera somente um breve motivo para se orgulhar de seu país, então a reclamação é vã, pois quem quiser orgulhar-se de seu país que vá e faça-o melhor. Se a reclamação basear-se no quadro de medalhas enquanto parâmetro para medir-se a eficiência da indústria esportiva no Brasil, aí temos algo a discutir.

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O que são S.O.P.A. e PIPA e por que devemos nos preocupar com isso

Stop Online Piracy Act e Protect IP Act são duas medidas que estão para ser votadas no Congresso estadunidense. Fortemente apoiadas pelas indústrias de entretenimento e mídia, sob o pretexto de combater a dita pirataria em nome dos direitos autorais, tais medidas na verdade são afrontas à transmissão de cultura. Não falo de baixa cultura ou alta cultura, não julgarei isso, mas falo de qualquer cultura.

Como funciona?

Suponhamos que sejam aprovadas, as medidas permitirão às empresas detentoras dos direitos autorais emitir processos a todos aqueles que de algum modo violam esses direitos (que merecem ser discutidos, por sinal). Poderão ser processados tanto aqueles que postam os conteúdos — um link para download, uma imagem, um vídeo do Youtube… — quanto os responsáveis pelos servidores nos quais tais conteúdos foram hospedados, caso não excluam sua conta em até cinco dias.

Isso quer dizer que se postares uma música com direito protegido no Facebook, poderás perder tua conta. Se, como faço aqui no Clássicos Universais, postares uma imagem na tua página pessoal, então o WordPress ou Blogspot deverá indisponibilizar todo o teu blogue e o Google apagará todos os links para ele e cortará toda a publicidade que fizeres nele. Ou seja, em cinco dias desaparecerás da internet.

Por que nós brasileiros devemos nos importar?

Primeiro, porque as sedes das maiores empresas do setor estão nos EUA. Segundo, porque as próprias medidas já prevêem punições para sítios estrangeiros.

Além disso, a internet como um todo não seria mais a mesma, não seria mais global. Estaria sujeita à legislação de cada país. Mais do que isso, as redes sociais e os buscadores que tanto usamos controlariam ferrenhamente o que poderíamos divulgar. Facebook, Google, Yahoo, WordPress, Blogspot, Tumblr, Youtube, Wikipedia, Twitter, entre outros, seriam assim obrigados a se autocensurarem. E não queremos censura, não é mesmo?

O que fazer?

Ficar atento e procurar mais informações:
Aqui está o texto original da S.O.P.A e aqui o da PIPA;
Aqui estão as empresas contrárias às medidas;
Aqui está um FAQ feito pela Wikipedia sobre o tema;
Aqui está um abaixo assinado contra as medidas no Avaaz (assina!):
E aqui e aqui estão dois apoiadores do movimento anti-SOPA no Brasil.

Exercício de Tradução: Emily Dickinson

Hoje faremos um estudo de tradução por meio do poema How lonesome the Wind must feel Nights -, de Emily Dickinson.

Primeiro analisaremos uma versão em português já existente, depois apresentaremos uma alternativa àquela com base no que acreditamos ter se perdido na passagem. O original é este:

“How lonesome the Wind must feel Nights -
When people have put out the Lights
And everything that has an Inn
Closes the shutter and goes in -

“How pompous the Wind must feel Noons
Stepping to incorporeal Tunes
Correcting errors of the sky
And clarifying scenery

“How mighty the Wind must feel Morns
Encamping on a thousand dawns
Espousing each and spurning all
Then soaring to his Temple Tall -”

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A métrica e o ritmo em poesia

Já decorrido muito tempo da ebulição do Modernismo, uma geração inteira de poetas surge sem conhecer seu trabalho. “Abaixo às regras!”, eles pregam, mas que regras são essas eles não sabem. Aliás, em poesia nunca houve tal coisa. O que sempre existiu, é certo, foi um processo natural de adaptação entre o conteúdo e a forma. De um autor que creia em “regras”, mesmo que não as siga, não devemos esperar bons poemas.

Lembrarmo-nos da origem da poesia é relacioná-la diretamente com a música. Poesia era música, não havia distinção entre uma e outra. No tempo de Homero, as lendas eram transmitidas de ouvinte a ouvinte através do canto. A Ilíada e a Odisséia são, além de poemas, verdadeiros hinos. Pensemos na música: é uma sucessão de sons e silêncios de acordo com determinado ritmo, organizado pelos compassos. A poesia, como irmã da música, deve então ter uma organização parecida. Vejamos.

Comecemos pela palavra, elemento básico da poesia. As palavras (quando faladas) são uma sucessão de pequenos sons, divididos em sílabas. Esse som pode ser forte (tônico) ou fraco (átono). ‘Céu’, por exemplo, é composta de um som para ‘c’, um para ‘é’ e outro para ‘u’. Foneticamente seria representada por [‘sɛw], enquanto graficamente é descrita por uma única sílaba tônica.

Já ‘sorte’ é composta por sons de ‘s’, ‘ó’, ‘r’, ‘t’ e ‘e’. Se mudássemos qualquer uma de seus sons, poderíamos ter ‘morte’ ou ‘solte’, mas fiquemos apenas com o aspecto gráfico dela. ‘Sorte’ tem duas sílabas, a primeira tônica (forte) e a segunda átona (fraca) – uma paroxítona, concluímos. O mesmo processo de divisão ocorre em todas as palavras.

A poesia, como a música, é marcada por uma sucessão de sons, mas enquanto os sons da música provêm de instrumentos (entre eles a voz, pois a garganta pode ser vista tal um instrumento de cordas), os da poesia vêm das palavras que a compõem. E sons poéticos também encontraram sua organização, sua estrutura: os versos, análogos aos compassos musicais, que marcam o ritmo do canto-poema.

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Orwell versus Huxley, um duelo de distopias

Em qual distopia nós vivemos?

Lê também: 1984, de George Orwell. E: Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Admirável Mundo Novo está mais próximo de nossa realidade do que 1984, embora ficcionalmente se posicione em um tempo muito mais longínquo. Então, talvez, Orwell tenha sido mais eficaz em seu aviso do que seu ex-professor, Huxley. Ou ambos viram facetas diferentes da humanidade, que com o passar das décadas umas predominaram às outras e por isso vivemos em uma sociedade tão Admirável… Melhor dito: nós, brasileiros livres das classes média e alta, vivemos em tal sociedade, enquanto em tantos outros lugares ainda se vive sob certo terror orwelliano, inclusive em países desenvolvidos como os Estados Unidos.

Não se trata de erros e acertos. Nenhum dos livros é um caderno de palpites ou uma coluna de fofocas; cada um funciona dentro do próprio universo e primeiro deve ser analisado nesse espaço, depois é que o transportamos para a vida real e vemos como ele se relaciona com ela. Somente após, não antes.

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O Sertão no Cinema Novo

O Cinema Novo no Brasil foi um movimento principalmente de idéias. Foi também, em muitos casos, uma tentativa de se reduzir ao fundamental a experiência cinematográfica tanto na confecção dos filmes quanto na representação das temáticas escolhidas. O objetivo era cortar gastos e, para isso, eliminar todos os componentes desnecessários.

Não se vêem sets faraônicos nem elencos hollywoodianos; o Cinema Novo foi um cinema de bravura, como foram o Neo-realismo italiano e a Nouvelle Vague, suas influências diretas. Da Itália trouxe o engajamento social e da França importou o questionamento filosófico e as técnicas de filmagem independente, tudo adaptado ao âmbito nacional em uma espécie de antropofagia cultural, ao melhor estilo de Oswald de Andrade.

Assim, alguns diretores encontraram no Sertão nordestino o cenário apropriado para desenvolverem suas histórias e suas manifestações políticas, isto é, não no Sertão geográfico, mas no ideológico.  A caatinga serviu a dois propósitos: minorar os custos de produção, uma vez que os filmes não precisavam mais de um estúdio para ser feitos, e transformar-se em uma alegoria para o Brasil como um todo.

Tanto que uma das maiores críticas contra esse movimento é a forma demasiado trágica com que mostrou o país, no entanto é de se entender que essa tragédia foi uma necessidade imposta pelo caráter descobridor do Cinema Novo. Descobrir aqui no sentido de tornar nu, despir de todas as distrações, resumir ao âmago. E até eviscerar, por que não?

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As batalhas da literatura

Em literatura, assim como nas outras artes e em tudo na vida, o novo se cria do velho. A arte recria-se em cada um, podemos dizer. Por isso temos escritores tais Homero e Kafka tão presentes em obras contemporâneas, porque ecoam através dos séculos e são apropriados por uma humanidade que se recria (e os recria) geração a geração.

Literatura é batalha. Não existe literatura em que não haja questões a responder, algo ou alguém para enfrentar e problemas para resolver. Isso porque literatura é transição, é movimento. Os personagens de um romance podem terminar de um modo parecido com o que começaram a história, porém nunca terminam da mesma maneira. E nós leitores somos transportados juntos; sabemos novas coisas, às vezes concluímos algo importante e em algumas raras ocasiões nos tornamos pessoas melhores. Literatura é passagem – nem sempre para um lugar melhor, talvez apenas diferente.

Existem quatro obras principais que descrevem bem quais foram os palcos de batalha da literatura nos últimos 2500 anos (descartemos aqui os textos essencialmente religiosos). São estas: Édipo Rei (Oedipus the King / Oedipus Tyrannus), de Sófocles; Hamlet, de Shakespeare; Crime e Castigo (Crime and Punishment / Pryestupleniye i nakazaniye), de Dostoievski; e Ulisses (Ulysses), de James Joyce. Caberia ainda Don Quixote (Don Quijote), de Cervantes, e Fausto (Faust), de Goethe, entre tantos outros livros, mas fiquemos com os quatro períodos destacados.

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Stephen Fry sobre a linguagem

Para quem entende inglês e gosta de linguagem eis uma fala de Stephen Fry sobre a uma das caraterísticas das palavras mais ignoradas pelas pessoas: causar prazer em quem as produz e em quem as ouve, independentemente do nível de “correção” delas.

Via: Não Gosto de Plágio.

Filmes para homens / Filmes para mulheres

Em quantas oportunidades já planejaste fazer aquela sessão de cinema especial com a tua parceira e na hora ela dormiu? Talvez não compreendas, talvez chegaste a ficar chateado com a sua desatenção, mas isso tem uma explicação e ela está diante dos teus olhos.

Para escutares durante a leitura: It’s A Man’s Man’s Man’s World, de James Brown.

O cinema é uma arte predominantemente masculina. Existem poucas diretoras e são raros os diretores que conseguem aprofundar temáticas femininas. Filmes para mulheres costumam recair sobre a comédia romântica ruim e o romance barato, sem saírem da superfície imagética ou emocional. Não que a culpa seja das mulheres. Existem exemplos de pessoas e obras superficiais em cada gênero. Muitos filmes para homens se perdem em ação exagerada ou humor púbere.

Por isso é tão difícil para homens e mulheres assistirem a uma sessão de cinema juntos; em especial para elas, porque não conseguem identificar-se com o que vêem na tela. Vamos por em perspectiva: coletemos listas dos dez melhores filmes segundo três sítios diferentes – AFI, BFI e Melhores Filmes – e vejamos quantos deles apresentam pelo menos uma mulher em um papel principal. O resultado: de 16 títulos diferentes, apenas 8 trazem uma (e única) atriz em destaque. E isso porque falamos dos melhores, mas se falarmos de filmes em geral o dado é mais alarmante.

A Universidade do Sul da Califórnia realizou uma pesquisa na qual analisou 122 filmes lançados nos Estados Unidos e no Canadá entre 2006 e 2009. De um total de 5.554 personagens com fala na amostra, somente 29,2% era do sexo feminino; ou seja, para cada mulher que tem voz no cinema, outros 2,42 homens falam.

Ainda com relação à amostragem, os dados de trás da câmera explicam toda essa discrepância com outra maior. De 1565 criadores (diretores, roteiristas e produtores), as mulheres representavam 7% como diretoras, 13% como roteiristas e 20% como produtoras. Para cada lançamento de uma diretora lançaram-se 9 diretores. E a pesquisa mostra que houve pouca mudança nesse cenário nos últimos 20 anos.

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A “boa” música e a “má” música

Com muita freqüência ouvimos expressões tais “já não se faz boa música” ou “música boa é música antiga” e às vezes chegamos até a concordar com elas. Contudo o problema desse tipo de generalização, conforme consta no próprio significado da palavra generalização, é a falta de especificidade. Portanto será útil darmos uma olhada cuidadosa neste assunto.

É verdade que não se faz a mesma música de antigamente; isso porque hoje estamos em uma outra época, do mesmo modo que a música antiga não se fazia igual àquela ainda mais antiga. Por isso temos o período Barroco, o Clássico, o Romântico… E ainda há mutações dentro de um único gênero musical. Dentro do Punk, por exemplo, tem o Post-Punk, o Hardcore-Punk, o Anarcho-Punk, e por aí vai.

Mais importante é o serviço que o tempo presta à seleção do merece ser preservado e do que não merece. Agora estamos atulhados de informação e esse excesso de fontes cria uma barreira entre nós e o que poderíamos considerar uma “boa” música (“boa”, ou seja, aquela de que gostamos), pois quanto maior for o número de possibilidades à nossa disposição, mais difícil encontraremos aquilo que apreciamos. Parece estranha e até ilógica uma afirmação assim, mas pensemos que com o aumento das opções as distrações também aumentam.

Logo, é muito mais fácil encontrarmos uma “boa” música da década de 70 do que de agora, pois ela se fixou em um público que a preservou por seus méritos e filtrou-a de tudo quanto a acompanhava. E, naquela época, alguém que poderia gostar dela deve ter dito “não se faz mais música boa”; como no caso da ascensão do Rock and Roll, por volta dos anos 50, para desespero dos ouvintes de música erudita, enquanto compositores da qualidade de Stravinsky, Prokofiev e Villa-Lobos permaneciam ativos.

Porém não são todas as “boas” músicas que sobrevivem. São duas as causas; primeira: seus artistas, sejam compositores, músicos ou produtores, todos eles em algum dia morrem. São os entusiastas que guardam as partituras ou gravações. Segunda: enquanto o tempo refina a parte estética de uma obra, desgasta a parte física dela. Recordemo-nos de quantas criações maravilhosas se perderam por descuido ou em acidentes ao longo da história. A Última Ceia (The Last Supper / L’Ultima Cena), de Da Vinci, é um exemplo de arte que em muitas ocasiões quase foi destruída.

Vamos aos casos práticos: quantas boas obras feitas entre 1600 e 1650 são conhecidas hoje no Brasil? Afirmar que a ópera L’Orfeo (SV 318), publicada em 1607 por Monteverdi, enquadra-se na categoria “produções amplamente repercutidas” seria um exagero e é a única alternativa que me ocorre. Isso não quer dizer que por meio século só existiu esta obra. Existiram muitas outras, no entanto foi Orfeu que se destacou na filtração dada pelo passar dos séculos. Havia ainda a música popular, mantida somente pela tradição oral, e desaparecida quando morreram aqueles que se interessavam por ela.

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