Esta foi mais uma lista dificílima de preparar. O top 10 virou top 15, que poderia muito bem virar top 20 e sabe-se lá onde isso pararia. Teve muito disco bom no Brasil em 2017 e aqui está a prova disso.

Lembrando que ainda temos: Melhor álbum feminino, Melhor estreia nacional, Melhor revelação internacional, Melhor álbum de jazz, Melhor álbum de rock, Melhor álbum de rap, Melhor álbum de pop e Melhor álbum internacional. Todos os álbuns foram avaliados por seu refinamento estético, seu potencial de receber novas visitas, a regularidade entre as faixas e a expressividade geral da música. Por isso você verá Linn da Quebrada – Pajubá apenas na lista de Melhor estreia nacional e Macaco Bong – Deixa Quieto entre as menções honrosas; enquanto o primeiro é repetitivo, o segundo é essencialmente um álbum de covers, apesar de seus méritos próprios.

Outros pontos importantes a considerar: eles precisavam estar no Spotify e eu deveria me sentir completamente confortável de recomendar a amigos, como agora.

 

Menções honrosas:

Don L – Roteiro para Aïnouz, Vol. 3

Macaco Bong – Deixa Quieto

Castello Branco – Sintoma

Luísa e os Alquimistas – Vekanandra

Bike – Em Busca da Viagem Eterna

Posada e o Clã – Posada e o Clã

Zé Bigode – Fluxo

 

Top 15 Melhores Álbuns Brasileiros de 2017

Corona Kings – Death Rides a Crazy Horse15. Corona Kings – Death Rides a Crazy Horse

Começamos com uma paulada hardcore para deixar qualquer pessoa arrepiada. A banda ataca faixa atrás de faixa sem trégua, com riffs possantes e e alguns hinos para cantar junto, como “Inner Giant”.


Arthur Moreira - Rei Ninguém14. Arthur Nogueira – Rei Ninguém

Todo o álbum foi composto num período de apenas 3 meses, o que torna o resultado ainda mais expressivo. As construções prezam pela sutileza, com instrumentos entrando e saindo sem fanfarras, mas com uma emoção contida que reflete as letras poéticas de Arthur. Minha favorita é “Ninguém”.


Xenia França - XENIA13. Xenia França – XENIA

Com batuque afro mesclado ao pop e uma voz que se adapta a variados ritmos e capaz de reinterpretar hits clássicos como “Respeitem Meus Cabelos, Brancos”, Xenia domina neste primeiro álbum solo.


Gragoatá – Gragoatá12. Gragoatá – Gragoatá

O samba desse disco de estreia é digno de nota, especialmente pelos vocais adocicados de Rebeca Sauwen. Todo ele é muito gostoso de se ouvir e bastante completo também, indo da delicadeza de “Café Forte” às distorções eufóricas de “Bloco da Alegria”.


Ego-Kill-Talent-Ego-Kill-Talent11. Ego Kill Talent – Ego Kill Talent

É nosso o maior produto tipo exportação entre as últimas bandas de rock nacionais que surgiram, tanto que despontaram em festivais e shows recentemente. É um som bem formado, pesado e sing-along do começo ao fim. Perdi a conta de quantas vezes ouvi “Sublimated”.


Lutre - Apego10. Lutre – Apego

Uma grande promessa deste ano, com um som diferente, flertando com o progressivo, e vocais declamados, mas num todo ainda envolvente. “Mudo” e “Graça e Poesia” são bons exemplo disso.


Laura Petit – Monstera Deliciosa9. Laura Petit – Monstera Deliciosa

Delicioso é este álbum cheio de gingado de Laura Petit. Às vezes de uma melancolia sensual, como em “Bicho”, ou chegando ao rock sujo de “Tarado” e “Al Dente”, Monstera Deliciosa absorve completamente o ouvinte. Namore essas letras, pois valem a pena.

Banha-me, eu banho você
Arranha-me, posso te morder
Deito no seu colo quente pra eu acender
Finjo que você é gente e eu sou de comer.

 

Maglore-Todas-as-Bandeiras8. Maglore – Todas as Bandeiras

Um álbum iluminado, pra cima, colorido. A guitarra tem um clima leve entre a Tropicália e o caribenho, o ritmo é viciante e os vocais são ótimos para acompanhar. Se há um lançamento com cara de verão, é este.


Rincon Sapiência - Galanga Livre7. Rincon Sapiência – Galanga Livre

Graças a seus momentos formidáveis, em especial às primeiras faixas, Galanga Livre consegue despontar como grande revelação e um álbum acima da média. Não fosse uma sequência bem fraca que quebra o ímpeto lançado em “Crime Bárbaro”, a música mais empolgante de 2017, este lançamento estaria na primeira posição.

Meu crime a ele eu culpo
Bateu em criança, cometeu estupro
Proibiu a dança e a religião
Gerou confusão interna entre o grupo
Cana-de-açúcar e sol quente
Rachando na cuca, ódio na mente
Lembro do seu braço preso no meu dente
(Ah!) Depois não foi um acidente

 

Airto Moreira - Aluê6. Airto Moreira – Aluê

Airto é um ícone e basta “Lua Flora” para provar-se Aluê como uma preciosidade criminalmente desconhecida. As digressões sonoras são muito extensas para o meu gosto e distraem do maravilhoso efeito que têm a maioria das faixas neste disco, mas em termos de qualidade individual dos músicos este é o melhor álbum brasileiro do ano.


Domenico Lancellotti – Serra dos Órgãos5. Domenico Lancellotti – Serra dos Órgãos

Os grandes compositores brasileiros têm essa forte característica de vez ou outra criarem uma espécie de “sinfonia campestre”, como em trechos de Tom Jobim e do Clube da Esquina. Domenico abre aqui uma sequência de 3 álbuns com esse quê tranquilo de um interior do Brasil e da própria musicalidade brasileira, apimentando sem descaracterizar.


Hermeto Pascoal – Natureza Universal4. Hermeto Pascoal & Big Band – Natureza Universal

O mestre desta vez está mais contido em Natureza Universal, mas nem por isso deixou de ser brilhante. Este é um jazz de primeira qualidade que tanto embala quanto emociona e mantém o foco do começo ao fim.


Tim Bernardes – Recomeçar3. Tim Bernardes – Recomeçar

Poucas vezes um “olho no olho”, como a capa do disco sugere, consegue ser tão grandioso. Tim nos convida para flutuar em sua intimidade, planando por composições complexamente orquestradas, mas de uma leveza imponderável aos ouvidos. Que talento e que promessa pelo que há de vir!


Kiko Dinucci – Cortes Curtos2. Kiko Dinucci – Cortes Curtos

Se há um exemplo de como o som “sujo” deva ser usado, Cortes Curtos compreende o caso. Tudo aqui caminha na mesma direção, seja tematicamente, seja o preenchimento das melodias, para o ouvinte imergir em um efeito coeso, sem distrair da própria música. Este carnaval dos infernos é de uma complexidade que não parece e de uma energia rara de se ouvir.


Scalene-Magnetite1. Scalene – Magnetite

Scalene firma-se como uma das bandas mais sólidas do rock nacional e neste quarto disco mostra-se, além de consistente, surpreendente. Cada parte funciona muito bem e o todo caminha com segurança, mesmo quando se aventura por caminhos inesperados no meio da música. Magnetite não é uma explosão, é um fogo lento que queima forte do começo ao fim.


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