Começou a sequência de listas dos melhores álbuns do ano do Clássicos Universais. Foram quase mil álbuns ouvidos, o equivalente a 55 dias de música e muita disputa em cada uma das nove listas preparadas: Melhor álbum feminino, Melhor estreia nacional, Melhor revelação internacional, Melhor álbum de jazz, Melhor álbum de rock, Melhor álbum de rap, Melhor álbum de pop, Melhor álbum brasileiro e Melhor álbum internacional.

Daremos a largada justamente com a lista mais difícil de montar: Melhores Álbuns Femininos de 2017. Eram tantas e tão boas concorrentes que só as menções honrosas já merecem destaque à parte. Os álbuns foram avaliados por seu refinamento estético, seu potencial de receber novas visitas, a regularidade entre as faixas e a expressividade geral da música.

Outros pontos importantes a considerar: eles precisavam estar no Spotify e eu deveria me sentir completamente confortável de recomendar a amigos. Por isso você não verá St. Vincent – Masseduction, entre outros, pois apesar de ser um álbum bem feito, não tenho qualquer motivo para recomendá-lo a alguém. Chega de papo e vamos à lista!



Menções honrosas:

Björk – Utopia

Jesca Hoop – Memories Are Now

The Secret Sisters – You Don’t Own Me Anymore

EMA – Exile in the Outer Ring

Molly Burch – Please Be Mine

Phoebe Bridgers – Stranger in the Alps

Top 15 Melhores Álbuns Femininos de 2017

Julien Baker – Turn Out the Lights15. Julien Baker – Turn Out the Lights

Se ela ainda não está no seu radar, é hora de prestar atenção. Com 22 anos e já em seu segundo álbum, Julien Baker é capaz de evocar emoções complexas com melodias simples graças à profundidade das suas interpretações. Uma guitarra e sua voz doce é tudo o que precisa para emocionar.


Laura Marling - Semper Femina14. Laura Marling – Semper Femina

Em 2013, seu álbum Once I Was an Eagle já havia sido um dos meus favoritos daquele ano e novamente ela mostra todo seu talento em composições intrincadas, porém ainda bastante sutis.


Charlotte OC – Careless People13. Charlotte OC – Careless People

É pop bem acima da média! Todas as faixas têm um propósito de estar ali e em nenhum momento Careless People parece arrastar-se. O grande trunfo de Charlotte OC é dar tempo para as músicas se desenvolverem com o passar do tempo, sem atacar com tudo logo no começo. Minha favorita é “Running Back to You”.


Marika Hackman - I'm Not Your Man12. Marika Hackman – I’m Not Your Man

Um elemento constante nesta lista é o fato de as letras não medirem palavras para expressar a intensidade emocional de suas compositoras. Marika é um ótimo exemplo desse hold no punches e fala de relacionamentos com iguais coragem e crueza. “I’d Rather Be With Them” é a mais cruel de todas.

You say: “look at the people
Crawling like insects
All over the pavements”

I’d rather be with them
‘Cause I just hate this room, it smells like you

Jen Cloher - Jen Cloher11. Jen Cloher – Jen Cloher

A roqueira experiente entrega um rock à altura, sempre empolgante, sempre provocante, sempre cheio de energia. Riffs e refrões de empoderamento feminino aqui há de sobra!



Kesha - Rainbow10. Kesha – Rainbow

Por falar em empoderamento, Rainbow é uma belíssima coleção de hinos feitos por uma mulher que deu a volta por cima, não só na carreira (e ela tem melhorado a cada disco), mas forçosamente também na vida. Ao ouvir faixas como “Praying” dá para sentir que ela está arrancando a letra do coração.
When I’m finished, they won’t even know your name
You brought the flames and you put me through hell
I had to learn how to fight for myself
And we both know all the truth I could tell
I’ll just say this is “I wish you farewell”

Rhiannon Guiddens – Freedom Highway9. Rhiannon Guiddens – Freedom Highway

Os instrumentais são muito bons, com uma pegada histórica, meio country, mas o destaque mesmo é a voz de Rhiannon que dá vida a letras fortes. Que faixas marcantes!


Willow - The 1st8. Willow Smith – The 1st

Esqueça “Whip My Hair”. Enquanto todo mundo está falando de Lorde, Willow se refez e quase que discretamente, serenamente, consolida-se no mesmo patamar artístico. Este segundo álbum dá excelentes mostras de um jovem talento em desenvolvimento, com pitadas experimentais e, sobretudo, de uma beleza sensível.



Zola Jesus – Okovi7. Zola Jesus – Okovi

A atmosfera obscura de Okovi reflete bem o momento em que Zola Jesus o compôs, enfrentando a proximidade da morte das pessoas que ama. O urgente e o meditativo então se encontram em melodias carregadas de gravitas e conduzidas pela voz incomparável dela.



Nicole Atkins - Goodnight Rhonda Lee6. Nicole Atkins – Goodnight Rhonda Lee

Desde a primeira faixa é evidente o ar retrô das composições, com uma banda cheia de groove e composições bem trabalhadas, sem jamais se sobreporem ao excelente vocal. Lembrou-me de Dusty in Memphis, que para mim é um tremendo elogio.



Somi - Petite Afrique5. Somi – Petite Afrique

Você deve ouvi-la em “Alien” se gosta da expressividade dos vocais à la Nina Simone, embora Somi seja uma artista bastante versátil, capaz de ir do dramático ao jazz mais leve e contemporâneo. Veja em que posição ficou no Top 15 Melhores Álbuns de Jazz.



Cécile McLorin Salvant - Dreams and Daggers4. Cécile McLorin Salvant – Dreams and Daggers

Cécile mais do que canta, interpreta. Ao vivo, então, a apresentação ganha uma energia distinta com espaço para diversas reações do público, até rir. A banda também é fenomenal e este é um ótimo lançamento de jazz. Também está no Top 15 Melhores Álbuns de Jazz.



Lorde - Melodrama3. Lorde – Melodrama

Cedo ou tarde eu teria de render-me aos encantos de Lorde. É impressionante o que ela está fazendo em sua idade e Melodrama é definitivamente um dos melhores álbuns de pop deste ano, com músicas bastante elaboradas, bem resolvidas e íntimas, sem abrir mão do apelo às massas. É bastante incomum artistas se exporem tanto como em “Liability”.
The truth is I am a toy that people enjoy
‘Til all of the tricks don’t work anymore
And then they are bored of me
I know that it’s exciting
Running through the night, but
Every perfect summer’s
Eating me alive until you’re gone
Better on my own

Susanne Sundfør - Music for People in Trouble2. Susanne Sundfør – Music for People in Trouble

Vez ou outra, descobrindo novos álbuns, encanto-me pelo retrospecto de alguma artista. E Susanne é uma preciosidade, uma das compositoras mais originais que estão produzindo, e produzindo impecavelmente novos sons a cada álbum. Ela mescla pop com folk, mas um folk quase clássico, parecendo um madrigal, que a torna bastante difícil de classificar. Na sua parte mais clássica,  “Mountaineers” encerra mais este espetáculo dela.



Lucy Rose - Something's Changing1. Lucy Rose – Something’s Changing

Vou colocar assim: quase cada faixa deste álbum é uma pedra preciosa e as poucas que não são ainda têm mais quilates que 99% das composições deste ano. Something’s Changing é o que há de mais cristalino em 2017 e eu morri de amores por ele.


Gostou da lista? Faltou algum lançamento que você tenha amado? Diga nos comentários!
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