Os Reis do Iê Iê Iê, de Richard Lester

Com apenas dois álbuns lançados, The Beatles já era febre no Reino Unido e a Beatlemania começava a espalhar-se pela Europa e pelo Novo Mundo. E com este filme – meio falso documentário, meio comédia musical – eles então poderiam ser vistos e ouvidos simultaneamente em todo o mundo.

Pontos principais:

  1. Tem os Beatles;
  2. Tem as músicas dos Beatles;
  3. É uma grande influência na história dos videoclipes;
  4. Retrata uma fase muito jovem, leve e alegre dos 4 integrantes;
  5. Ringo, no papel de Ringo.

A Hard Day’s Night tecnicamente não é um grande filme, mas não deixa de ser uma grande experiência cinematográfica. Tanto porque foi concebido com o propósito muito claro de primeiro difundir e comercializar ainda mais a imagem de The Beatles; o que viesse após seria lucro.

Para esta primeira incursão do quarteto de Liverpool no mundo do cinema foram contratados o diretor Richard Lester, mais conhecido por seu posterior trabalho na franquia Superman, e o roteirista Alun Owen, então limitado à televisão. O maior mérito dos dois foi não requerer que os Beatles fossem algo mais do que eles próprios.

Eles não obteriam excelentes atuações se exigissem demais, portanto no filme os músicos aparecem de acordo com suas personalidades – daí o caráter quase documentarista da obra. Owen criou os diálogos baseado em suas observações ao acompanhar a banda em turnê; logo, muito do que se vê em tela reflete a vida real dos bastidores. Paul aparece como bom moço, George é tímido, Ringo anda meio macambúzio e John faz o papel de espertalhão e janota do grupo.

O filme usa de humor para retratar o cotidiano do grupo em meio à Beatlemania. Afinal, foi lançado em plena ascensão do grupo, em 1964. Trata-se de uma comédia musical, embora as piadas não tenham lá muita graça, até porque os músicos eram atores treinados nem tinham o preciso timing para torná-las engraçadas.  No entanto o roteiro reserva algumas falas inesperadamente cômicas, como na cena em que Ringo reclama de não ter recebido cartas das fãs e logo recebe um monte delas:

John: Deves ter gastado uma fortuna em selos, Ringo.
George: Ele vem de uma família numerosa.

Ringo poderia ser um comediante à Jacques Tati.
Ringo poderia ser um comediante à Jacques Tati.

Aliás, mesmo com a distribuição equilibrada de cenas e falas entre os integrantes, é o baterista que se destaca. É ele quem protagoniza os momentos mais engraçados e também os mais dramáticos, com direito a um passeio solitário atuado de maneira bastante convincente graças a uma ressaca. Sua dancinha é um espetáculo à parte.

A Hard Day's Night (Ringo dancing)

A simplicidade do roteiro não exige muito da direção. A narrativa é a mais simples possível: os Beatles viajam de trem com o avô encrenqueiro de Paul (Wilfrid Brambell) em direção a Londres para gravar um show de televisão. No meio disso ocorre um esconde-esconde entre integrantes e fãs, números musicais, algumas encrencas, piadas para cá e piadas para lá, e tombos, muitos tombos, inclusive a queda não intencional de George nos créditos iniciais.

E o desespero e os gritos e as lágrimas...
E o desespero e os gritos e as lágrimas…

Nem por isso Lester conduz o filme toscamente. É claro que o foco principal é a banda, mas se encontram alguns detalhes inspirados, como no plano do vagão de trem onde estão os quatro protagonistas mais o avô. Três deles são vistos de frente e de cima, enquanto outros dois são mostrados através de um espelho na parede – uma composição sutil e interessante.

A Hard Day's Night (detail)

E na sequência em que a banda enfrenta uma comitiva de imprensa, o trecho mais cômico e bem editado do filme, onde aparece a seguinte montagem de fotos de George:

A Hard Day's Night (detail 2)

E ainda na discreta paródia de 007 Contra o Satânico Dr. No (Dr. No), de Terence Young, na cena de apresentação de James Bond, onde ele aparece primeiro de costas, depois é mostrado o croupier e por fim vemos o protagonista. Até o lugar é o mesmo: o clube Le Cercle. Em A Hard… a cena é reproduzida tomada a tomada, mas passa tão rápido que é difícil percebermos as semelhanças.

Shaken, not stirred...
Shaken, not stirred…

No final tudo acaba bem, pois em 1964 eles ainda eram jovens, cheios de energia, bem humorados e alguns anos distantes de serem separados por amores e ideologias. A grande exibição acontece, os fãs vão ao delírio e o filme termina, não sem deixar uma sensação de bem-estar no espectador. Destaque para a excelente edição dos créditos finais.

A Hard Day's Night 2

Como dito no começo, A Hard Day’s Night não é um grande filme. Está mais para um bom videoclipe de 90 minutos, porém 90 minutos bem vividos. Talvez seja esta a maior contribuição desta obra: a união entre a música e o vídeo, e com ela o desenvolvimento da publicidade musical tal como a conhecemos hoje.

Ficha técnica:
Título: Os Reis do Iê Iê Iê / A Hard Day’s Night;
Direção: Richard Lester;
Elenco: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, Wilfrid Brambell, Norman Rossington, John Junkin…;
Roteiro: Alun Owen;
Cinematografia: Gilbert Taylor;
Edição: John Jympson;
Produção: United Artists;
Ano: 1964;
País: Inglaterra;
Gênero: Comédia, Musical.

 

2 comentários Adicione o seu

  1. TodoSantoDia disse:

    Oie oie
    Assisti e curti mto! Ótimo pra uma tarde qualquer em que se busca algo legal!
    Curti o post!… Beatles é beatles, neh?

    Boa sorte com o blog e com tudo o mais que desejar!
    hasta

    1. Olá, visitante!
      Obrigado pela visita e pelo comentário, aparece mais vezes por aqui.
      Procurarei incrementar a seção musical do Clássicos, quem sabe aparece mais algum Beatles logo.
      Até mais!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *