A segunda temporada de Westworld estreia só em 2018 pela HBO. Enquanto isso, contamos os dias com algumas curiosidades sobre o filme que inspirou a série.

Westworld é um longa de 1973, dirigido e escrito por Michael Crichton, o mesmo autor de Jurassic Park (que aparentemente tem traumas com parques de diversão), e estrelado por Yul Brynner, Richard Benjamin e James Brolin. Este faroeste futurista, embora hoje mais lembrado pela adaptação televisiva, é pioneiro no uso de efeitos digitais no Cinema.

 “The rise of the pixel in cinema may feel like a recent development, but this year actually marks its fortieth anniversary. It began in 1973, with the release of a low-budget science-fiction film, Michael Crichton’s ‘Westworld’.” (David A. Price – The New Yorker)

Conhecendo a série, em especial depois de ler O melhor episódio de Westworld, é difícil evitar comparações entre uma obra e outra. Como na adaptação, temos dois amigos chegando às atrações de Delos. Peter (Benjamin) faz as vezes de William, o personagem a quem são explicadas todas as regras desse universo; já John (Brolin) é semelhante a Logan, conhecedor do jogo.

John e Peter.

A diferença neste caso é que somos apresentados desde o começo ao conceito de múltiplos parques, o que na série só ocorre no final da primeira temporada. Opa, spoiler!

No filme, os parques são bem menores, quase bairros apenas.

Ao todo, existem Westworld, Medieval World e Roman World. Pouco sabemos desses dois últimos, porque enquanto os protagonistas estão em Westworld, os demais parques aparecem mediante a perspectiva de personagens secundários.

No velho Oeste, Peter acostuma-se rapidamente ao cenário. Logo na primeira saída atira em Gunslinger (Brynner) e, à noite, tem um momento de sweet sweet robot action.

Suas definições de “trocar o óleo” foram atualizadas.

Tudo são festas, quebradeiras e diversão até surgirem mais e mais indícios de que algo está errado com os robôs, quando passam a agir por conta própria. Isso põe os cientistas do parque de sobreaviso, mas, incapazes de isolar a área por pressão de Delos, acabam sofrendo as consequências.

Daí em diante o caos espalha-se pelas três locações. Peter vê Gunslinger em seu encalço, na busca por vingança, mudando o tom do filme. Se antes era mais cômico, todo o segundo ato envolve bastante suspense e uma perseguição de tirar o fôlego.

A trilha sonora de Fred Karlin é um dos destaques de Westworld, pois causa certa perturbação no espectador. Ela acompanha a memorável caçada de Gunslinger pelo labirinto de Delos, deixando tudo mais assustador.

Então, o confronto final não faz jus ao suspense anterior. Até aí tínhamos Brynner sendo durão no estilo pelo qual ficou mais conhecido em Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, de John Sturges). Some-se a isso o fato de ser um Exterminador do Futuro uma década antes do filme de James Cameron. Mas ele é facilmente derrotado porque o fogo distrai sua visão robótica. Como uma criança!

Westworld tinha tudo para ser muito bom, um cult do gênero, não fosse a indecisão de tons ao longo do roteiro e não saber como acabar. Tem, contudo, muitas qualidades, como um conceito arrojado, bons momentos de tensão e, sobretudo, os efeitos especiais, dos prostéticos aos digitais.

É bem documentado como os 2 minutos e 31 segundos de POV (ponto de vista) dos robôs antecedeu e influenciou a computação gráfica no cinema. Crichton teve de recorrer a John Whitney Jr., um cineasta experimental na época, para conseguir as cenas desejadas, compostas quadro a quadro ao longo de 4 meses.

É um resultado visual impressionante para 1973 e é isso o que vale conhecer em Westworld, o filme.

Continue a leitura em: O melhor episódio de Westworld.

Créditos:
Título: Westworld – Onde Ninguém Tem Alma / Westworld;
Direção: Michael Crichton;
Elenco: Yul Brynner, Richard Benjamin, James Brolin, Alan Oppenheimer…;
Roteiro: Michael Crichton;
Cinematografia: Gene Polito;
Edição: David Bretherton;
Música: Fred Karlin;
Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM);
Ano: 1973;
País: Estados Unidos;
Gênero: Ação, Ficção científica.

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